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CORPO-DIÁRIO n. 3: MULHERES E ARQUIVOS

O artigo Reescrituras do corpo: memória e arquivo no processo criativo de Christina Elias, de autoria conjunta de Priscila Arantes e minha, foi publicado na revista Manuscrítica (USP) n. 47: MULHERES, ARQUIVOS E PROCESSOS DE CRIAÇÃO (Dezembro de 2022).


Neste artigo, o processo de criação é analisado a partir do conceito de reescrituras desenvolvido por Priscila Arantes a partir da teoria da História de Walter Benjamin no livro Reescrituras da arte contemporânea: história, arquivo e mídia (2015). Aqui, o corpo é assumido como um arquivo em si de forma que as obras retomam aspectos de obras anteriores, não num contexto de repetição, mas sim de transformação e criação: reescrituras.



Essas reescrituras operam em três níveis diversos: o primeiro enquanto processo criativo em si, em que a performance se transforma em vídeo, que se transforma em instalação, que se transforma em objeto:


O segundo enquanto objeto de arte, em que o movimento se transforma em texto, que se transforma em imagem, que vira dança, que se desfaz em objetos, que se recompõem no corpo; e o terceiro enquanto conceito, em que a artista aborda conceitualmente questões relacionadas à passagem do tempo, às metamorfoses do corpo, ao desfazimento de tudo que parece estável, até de sua própria criação.


“O gesto reescritural implica, paralelamente, revermos a ideia de uma história da arte linear e historicista, com um passado dado, fixo e imutável, e abrirmos a perspectiva para o entendimento da história da arte aberta a outras escrituras. Vale a pena lembrar a importância de recuperarmos “outros” arquivos, outros documentos geralmente “excluídos” das histórias oficiais e hegemônicas da história da arte, como um gesto aberto permanentemente à repetição do diferente ” (Arantes 2015 p.98). Assim, a grafia da história é entendida como uma apresentação sempre aberta a outros significados possíveis.


É nesse lugar instável de passagem que o trabalho se reescreve.


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Christina Elias
escrever o corpo
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